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	<title>Caminhos para a paz</title>
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	<description>Pretende-se, com esta antologia, proporcionar momentos de reflexão sobre o tema da violência, abrindo ao mesmo tempo alguns caminhos possíveis para uma paz assente no diálogo, na partilha e na compreensão, na capacidade de ouvir o que o outro tem para dizer, e na consciência de que a maldade que tendemos a ver nesse outro é, tantas vezes também, um reflexo da nossa própria maldade.</description>
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		<title>Caminhos para a paz</title>
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		<title>Preâmbulo</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2007 15:33:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caminhos para a Paz PDF Preâmbulo Nos difíceis tempos que são os de hoje, em que o desenvolvimento tecnológico tem aberto possibilidades não antes suspeitadas, torna-se mais do que nunca necessária uma pedagogia dos valores assente em bases sólidas, que oriente os mais jovens no sentido da tolerância, da generosidade e no respeito pela diferença, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=75&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://espacoesperanca.files.wordpress.com/2007/11/caminhos-para-a-paz-web.pdf" title="caminhos-para-a-paz-web.pdf">Caminhos para a Paz PDF</a></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span><strong><span style="font-size:14.5pt;">Preâmbulo</span></strong></span><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nos difíceis tempos que são os de hoje, em que o desenvolvimento tecnológico tem aberto possibilidades não antes suspeitadas, torna-se mais do que nunca necessária uma pedagogia dos valores assente em bases sólidas, que oriente os mais jovens no sentido da tolerância, da generosidade e no respeito pela diferença, tão pouco tida em conta nesta época de fundamentalismos, de guerras onde não existem vencedores, e em que a mais pesada factura é sempre paga pelas crianças. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por outro lado, de par com a devastação causada por tantos conflitos armados, surge, como inevitável, um cortejo de imagens televisivas diariamente enviado para as casas dos telespectadores, numa dessensibilizante rotina da exploração da dor humana e da destruição, que atrai a curiosidade de quem vê, mas que não esclarece nem convida a reflectir. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Transformadas as imagens de violência, reais e ficcionadas, em objecto de consumo e fonte de entretenimento, não é de surpreender que se tenha vindo a assistir, de forma generalizada, a um aumento da incidência de crimes violentos na sociedade cada vez mais laxista e permissiva que é a sociedade portuguesa, em que reinam a impunidade e a hipocrisia, em que o respeito pelos princípios morais é confundido com moralismo retrógrado, e em que a mediocridade e a grosseria se têm transformado em modelos de comportamento, sobretudo para os mais jovens. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Pretende-se, com esta antologia, proporcionar a quem a ler momentos de reflexão sobre o tema da violência, abrindo ao mesmo tempo alguns caminhos possíveis para uma paz assente no diálogo, na partilha e na compreensão, na capacidade de ouvir o que o outro tem para dizer, e na consciência de que a maldade que tendemos a ver nesse outro é, tantas vezes também, um reflexo da nossa própria maldade. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p><a href="http://espacoesperanca.files.wordpress.com/2007/11/caminhos-para-a-paz-web.pdf" title="caminhos-para-a-paz-web.pdf">Caminhos para a Paz PDF</a></p>
<p><span><strong><span style="font-size:11.5pt;"></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size:11.5pt;">Caso queira fazer algum comentário aos textos que leu, escrever sobre estes temas, a deixar alguma reflexão&#8230; Escreva!</span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=75&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O menino que voltou a sorrir</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Sep 2007 15:30:00 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[agressividade]]></category>
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		<description><![CDATA[O menino que voltou a sorrir  &#160; &#160; Guardavida era um país onde outrora as pessoas tinham gostado de viver. Tanto o clima como a geografia pitoresca, bem como a boa disposição dos seus habitantes, tinham lá atraído, fosse Verão ou Inverno, muitos viajantes provenientes de todos os países. Mas, não se sabe bem porquê [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=74&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><a name="114b6f7a65975bf6__Toc159552419"></a><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">O menino que voltou a sorrir  </font></span></strong><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Guardavida era um país onde outrora as pessoas tinham gostado de viver. Tanto o clima como a geografia pitoresca, bem como a boa disposição dos seus habitantes, tinham lá atraído, fosse Verão ou Inverno, muitos viajantes provenientes de todos os países. Mas, não se sabe bem porquê – tendo sido a inveja, sem dúvida, uma das razões – Guardavida conheceu em poucos meses uma das piores catástrofes que um país pode sofrer: os homens tornaram-se inimigos uns dos outros! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O pequeno reino de Guardavida foi, primeiro, saqueado e destruído por duas potências rivais, que o disputaram entre si. Conheceu, seguidamente, uma horrível guerra civil, que acabou por arruinar tudo o que restara do conflito anterior. Depois do ódio e da miséria terem cumprido o seu papel, os habitantes mergulharam num profundo desespero. O rei perdera a esposa e três filhos nos conflitos, e decretou luto nacional por tempo indeterminado. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Que turista quereria agora visitar as cidades arrasadas, os campos devastados e as estâncias balneares destruídas? Quem poderia rir ou divertir-se com uma população de refugiados, desencantados e resignados, que se havia até esquecido de que a felicidade existia?  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Acontece que, uma noite, uma sentinela encarregada de vigiar as praias orientais de Guardavida se apercebeu de uma sombra estranha no declive de uma duna. De arma na mão, aproximou-se, sem fazer barulho, e ficou estupefacta com o que viu.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Deitado na cratera que uma bomba deixara na areia, estava um menino vestido de farrapos. O soldado rastejou até ao local e viu, apesar da escuridão, que a criança estava viva. De mãos atrás da nuca, com os joelhos flectidos, o menino sorria ao contemplar o enorme céu negro, no qual despontavam um crescente de lua e as primeiras estrelas.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O guarda observou a cara do menino durante um longo minuto e, depois, com a rapidez de um relâmpago, saltou para junto dele, apontando-lhe a arma.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Alto lá! — gritou a sombra debruçada sobre a criança que, entretanto, se pusera de joelhos, com o coração a bater fortemente.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Alto lá! — gritou de novo o soldado, como se o menino fosse fugir. — Põe-te de pé, seu malandro! Há mais de um minuto que te vejo a sorrir!\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Eu… eu não estava a fazer nada de mal — balbuciou a criança.\n\u003c/font\&gt;",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Acontece que, uma noite, uma sentinela encarregada de vigiar as praias orientais de Guardavida se apercebeu de uma sombra estranha no declive de uma duna. De arma na mão, aproximou-se, sem fazer barulho, e ficou estupefacta com o que viu. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Deitado na cratera que uma bomba deixara na areia, estava um menino vestido de farrapos. O soldado rastejou até ao local e viu, apesar da escuridão, que a criança estava viva. De mãos atrás da nuca, com os joelhos flectidos, o menino sorria ao contemplar o enorme céu negro, no qual despontavam um crescente de lua e as primeiras estrelas. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O guarda observou a cara do menino durante um longo minuto e, depois, com a rapidez de um relâmpago, saltou para junto dele, apontando-lhe a arma. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Alto lá! — gritou a sombra debruçada sobre a criança que, entretanto, se pusera de joelhos, com o coração a bater fortemente. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Alto lá! — gritou de novo o soldado, como se o menino fosse fugir. — Põe-te de pé, seu malandro! Há mais de um minuto que te vejo a <span class="st"><font>sorrir</font></span>! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Eu… eu não estava a fazer nada de mal — balbuciou a criança. </font>  <!-- D(["mb","\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Toca a andar! Não passas de um pequeno verme sorridente! — gritou o soldado, batendo-lhe com o bastão nas costas.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Não… não sou um inimigo, não sou um estrangeiro — tentava explicar a criança, que caminhava agora rapidamente, com as mãos no ar.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— De Guardavida não és, porque sorris de noite, às escondidas. És um malandro que não respeita o nosso luto nacional, um foragido que troça da nossa mágoa e dos nossos mortos! \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Mas… mas… eu estava a sorrir sem me dar conta — dizia o menino, já sem fôlego. — Sorria por causa do primeiro crescente de lua: os meus lábios imitaram a sua forma. Sorria porque a areia está morna e a noite é suave…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Como? Morreram milhares de Guardavianos nestas praias, a defender a sua pátria. Estas dunas, crivadas de bombas, de balas e de granadas, ficaram juncadas de cadáveres!\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;E o soldado bateu com força na cabeça do menino, que caiu por terra. Mas em breve se levantava, segurando um punhado de areia na mão.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;",1] );  //--></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Toca a andar! Não passas de um pequeno verme sorridente! — gritou o soldado, batendo-lhe com o bastão nas costas. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Não… não sou um inimigo, não sou um estrangeiro — tentava explicar a criança, que caminhava agora rapidamente, com as mãos no ar. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— De Guardavida não és, porque sorris de noite, às escondidas. És um malandro que não respeita o nosso luto nacional, um foragido que troça da nossa mágoa e dos nossos mortos! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Mas… mas… eu estava a <span class="st"><font>sorrir</font></span> sem me dar conta — dizia o menino, já sem fôlego. — Sorria por causa do primeiro crescente de lua: os meus lábios imitaram a sua forma. Sorria porque a areia está morna e a noite é suave… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Como? Morreram milhares de Guardavianos nestas praias, a defender a sua pátria. Estas dunas, crivadas de bombas, de balas e de granadas, ficaram juncadas de cadáveres! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">E o soldado bateu com força na cabeça do menino, que caiu por terra. Mas em breve se levantava, segurando um punhado de areia na mão. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;">  <!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Veja, veja como esta areia é morna e suave e…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Quando o soldado se preparava para bater de novo na criança, ela atirou-‑lhe a areia aos olhos e desatou a fugir.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O menino correu pela noite dentro até ao alvorecer. Embora estivesse há muito fora do alcance do soldado, sentia-se inquieto. Resolveu refugiar-se durante o dia numa pequena floresta de bétulas prateadas, e voltar à estrada ao anoitecer.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Começou a avançar pela floresta dentro, guiado pelo murmúrio da água que deslizava sobre os seixos. Acabou por se sentar na margem de um pequeno riacho que se divertia a serpentear por entre os salgueiros. A luz desta manhã de Abril penetrava através das folhas cor de amêndoa e fazia brilhar os troncos das bétulas. Milhares de estrelas reluziam na superfície da água.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A criança, que, em silêncio, desfrutava do espectáculo sempre novo da água, do ar e da luz, maravilhou-se com o aparecimento fulgurante de um guarda-rios. Era como se quatro anos de guerra tivessem poupado este pequeno paraíso no coração de Guardavida. Como se as andorinhas, os tentilhões e os chapins, que chilreavam e saltitavam, nunca tivessem ouvido o troar dos canhões, o zunir das balas, o estertor dos moribundos e as queixas dos sobreviventes. Aqui, a água que brotava de uma nascente pura e corria sobre os seixos continuava a ignorar a cor do sangue.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">— Veja, veja como esta areia é morna e suave e… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Quando o soldado se preparava para bater de novo na criança, ela atirou-‑lhe a areia aos olhos e desatou a fugir. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O menino correu pela noite dentro até ao alvorecer. Embora estivesse há muito fora do alcance do soldado, sentia-se inquieto. Resolveu refugiar-se durante o dia numa pequena floresta de bétulas prateadas, e voltar à estrada ao anoitecer. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Começou a avançar pela floresta dentro, guiado pelo murmúrio da água que deslizava sobre os seixos. Acabou por se sentar na margem de um pequeno riacho que se divertia a serpentear por entre os salgueiros. A luz desta manhã de Abril penetrava através das folhas cor de amêndoa e fazia brilhar os troncos das bétulas. Milhares de estrelas reluziam na superfície da água. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">A criança, que, em silêncio, desfrutava do espectáculo sempre novo da água, do ar e da luz, maravilhou-se com o aparecimento fulgurante de um guarda-rios. Era como se quatro anos de guerra tivessem poupado este pequeno paraíso no coração de Guardavida. Como se as andorinhas, os tentilhões e os chapins, que chilreavam e saltitavam, nunca tivessem ouvido o troar dos canhões, o zunir das balas, o estertor dos moribundos e as queixas dos sobreviventes. Aqui, a água que brotava de uma nascente pura e corria sobre os seixos continuava a ignorar a cor do sangue. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;">  <!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A criança, exausta, deitou-se no musgo e acabou por adormecer, embalada pelo canto dos pássaros. Enquanto dormia, sorria para os anjos do céu azul. \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Desta vez, não foi uma sentinela mas uma patrulha inteira que o acordou, \nem sobressalto. Através do sol ofuscante do meio-dia, a criança conseguiu distinguir seis rostos ameaçadores debruçados sobre ela.\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Momentos depois, de mãos atadas e boca amordaçada, o menino foi conduzido à cidade mais próxima e atirado para um calabouço sombrio.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Passaram-se dois dias e duas noites intermináveis, durante os quais, a criança, cheia de fome e com o corpo pisado, só não sucumbiu ao desespero porque pôde respirar o cheiro de uma glicínia, que se estendia pela parede exterior da prisão. \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Na manhã do terceiro dia de prisão, trouxeram-lhe finalmente um pouco de pão e água, e fizeram-no comparecer, em seguida, perante os juízes. Numa sala enorme, com paredes de pedra, três homens com vestes compridas debruadas a arminho branco estavam diante dele, enquanto uma multidão cinzenta e agitada murmurava nas suas costas. \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Estrangeiro! — começou um dos juízes. — É acusado de ter entrado ilicitamente no nosso país, de ter agredido um dos nossos guardas fronteiriços e, sobretudo, de ter desrespeitado, por duas vezes, o luto nacional decretado pelo nosso soberano, mostrando assim o seu desprezo pela dor e mágoa dos nossos concidadãos. É uma ameaça à paz do nosso reino e incorre na pena capital, reservada aos traidores da pátria. Reconhece todos estes factos?\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">A criança, exausta, deitou-se no musgo e acabou por adormecer, embalada pelo canto dos pássaros. Enquanto dormia, sorria para os anjos do céu azul. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Desta vez, não foi uma sentinela mas uma patrulha inteira que o acordou, em sobressalto. Através do sol ofuscante do meio-dia, a criança conseguiu distinguir seis rostos ameaçadores debruçados sobre ela.</font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Momentos depois, de mãos atadas e boca amordaçada, o menino foi conduzido à cidade mais próxima e atirado para um calabouço sombrio. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Passaram-se dois dias e duas noites intermináveis, durante os quais, a criança, cheia de fome e com o corpo pisado, só não sucumbiu ao desespero porque pôde respirar o cheiro de uma glicínia, que se estendia pela parede exterior da prisão. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Na manhã do terceiro dia de prisão, trouxeram-lhe finalmente um pouco de pão e água, e fizeram-no comparecer, em seguida, perante os juízes. Numa sala enorme, com paredes de pedra, três homens com vestes compridas debruadas a arminho branco estavam diante dele, enquanto uma multidão cinzenta e agitada murmurava nas suas costas. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Estrangeiro! — começou um dos juízes. — É acusado de ter entrado ilicitamente no nosso país, de ter agredido um dos nossos guardas fronteiriços e, sobretudo, de ter desrespeitado, por duas vezes, o luto nacional decretado pelo nosso soberano, mostrando assim o seu desprezo pela dor e mágoa dos nossos concidadãos. É uma ameaça à paz do nosso reino e incorre na pena capital, reservada aos traidores da pátria. Reconhece todos estes factos?  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Mas — respondeu a criança — eu nasci em Guardavida, há dez anos, mais ou menos, e…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Admito que pareces conhecer a nossa língua — interrompeu o segundo juiz, sentado à direita do primeiro. — Mas quem pode provar que és um Guardaviano, se não encontramos nenhum documento de identificação na tua roupa esfarrapada?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Todos os meus haveres foram-me roubados há dias, enquanto dormia ao relento. Os meus pais deviam ter o que procurais, mas foram mortos num bombardeamento há três meses.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Mentes! — interrompeu secamente o terceiro juiz. — Se os teus pais tivessem morrido num bombardeamento, não sorririas durante o sono.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A multidão soltou uma exclamação de espanto.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Mas eu senti uma grande dor quando os meus pais foram mortos, e continuo a sentir uma pena imensa. Às vezes, choro sozinho, com o estômago contraído, e cerro os punhos para não gritar…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Quando tentaram prender-te na costa oriental, a sentinela assegura que sorrias sozinho e que troçavas da morte recente dos teus pais!\n",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Mas — respondeu a criança — eu nasci em Guardavida, há dez anos, mais ou menos, e… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Admito que pareces conhecer a nossa língua — interrompeu o segundo juiz, sentado à direita do primeiro. — Mas quem pode provar que és um Guardaviano, se não encontramos nenhum documento de identificação na tua roupa esfarrapada? </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Todos os meus haveres foram-me roubados há dias, enquanto dormia ao relento. Os meus pais deviam ter o que procurais, mas foram mortos num bombardeamento há três meses. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Mentes! — interrompeu secamente o terceiro juiz. — Se os teus pais tivessem morrido num bombardeamento, não sorririas durante o sono. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">A multidão soltou uma exclamação de espanto. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Mas eu senti uma grande dor quando os meus pais foram mortos, e continuo a sentir uma pena imensa. Às vezes, choro sozinho, com o estômago contraído, e cerro os punhos para não gritar… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Quando tentaram prender-te na costa oriental, a sentinela assegura que sorrias sozinho e que troçavas da morte recente dos teus pais!  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— É que, quando penso nos passeios que dei com o meu pai, quando me lembro das suas brincadeiras, quando revejo os olhos da minha mãe e me dou conta do tesouro que eram os beijos que me dava antes de dormir, o meu rosto ilumina-se de felicidade.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Não negas, então, que és incapaz de respeitar o nosso luto. Seis testemunhas ajuramentadas viram-te sorrir para os anjos, no dia a seguir ao teu primeiro delito!\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Estava contente — disse a criança — por ouvir os pássaros cantar e o rio murmurar por entre os seixos. A descoberta dos primeiros lírios de água, o perfume de uma flor selvagem, aqueciam o meu coração. Às vezes, esqueço-me da minha tristeza quando vejo o sol brilhar na água ou brincar com as nuvens. Gosto de ver o vento acariciar as ervas ou dançar nos ramos dos salgueiros…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Um longo murmúrio elevava-se agora da multidão, como se as suas palavras tivessem despertado nas pessoas surpresa, consternação e cólera.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Basta! — disse o primeiro juiz, batendo com o martelo na secretária. — Esta criança clandestina que reconhece os seus crimes perturba a ordem pública. Condenamo-la à forca, como fazemos a todos os traidores de Guardavida! \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— É que, quando penso nos passeios que dei com o meu pai, quando me lembro das suas brincadeiras, quando revejo os olhos da minha mãe e me dou conta do tesouro que eram os beijos que me dava antes de dormir, o meu rosto ilumina-se de felicidade. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Não negas, então, que és incapaz de respeitar o nosso luto. Seis testemunhas ajuramentadas viram-te <span class="st"><font>sorrir</font></span> para os anjos, no dia a seguir ao teu primeiro delito! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Estava contente — disse a criança — por ouvir os pássaros cantar e o rio murmurar por entre os seixos. A descoberta dos primeiros lírios de água, o perfume de uma flor selvagem, aqueciam o meu coração. Às vezes, esqueço-me da minha tristeza quando vejo o sol brilhar na água ou brincar com as nuvens. Gosto de ver o vento acariciar as ervas ou dançar nos ramos dos salgueiros… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Um longo murmúrio elevava-se agora da multidão, como se as suas palavras tivessem despertado nas pessoas surpresa, consternação e cólera. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Basta! — disse o primeiro juiz, batendo com o martelo na secretária. — Esta criança clandestina que reconhece os seus crimes perturba a ordem pública. Condenamo-la à forca, como fazemos a todos os traidores de Guardavida! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;">  <!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Segundo os costumes de Guardavida, todos os condenados à morte eram conduzidos diante do soberano, na véspera da execução, a fim de beneficiarem, eventualmentee, de um perdão real. Infelizmente para o menino, o rei, depois que perdera a família, nunca mais acordara um perdão a nenhum acusado. Era como se a dor tivesse destruído nele, para sempre, qualquer sentimento de compaixão. Se ainda aceitava participar nesta cerimónia macabra, era mais para respeitar um costume instituído pelos seus antepassados do que para salvar a vida de algum miserável.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;De facto, quando o rei se dignava olhar para alguns dos condenados, via sobretudo neles os assassinos da sua família. Se pudesse, em vez de lhes conceder algum perdão, ele mesmo lhes cortaria o pescoço.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Foi pois com uma esperança assaz diminuta que a criança foi conduzida diante dele, acompanhada por uma dúzia de prisioneiros.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Sentado numa grande sala do palácio, num trono de ébano, o rei estava absorto nos seus pensamentos sombrios. \n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A sua única filha ainda viva estava sentada a seu lado e acariciava os cabelos dourados de uma boneca de porcelana.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Quando os condenados entraram e foram conduzidos até ele, o rei levantou os olhos, e o seu rosto imóvel foi-os olhando, um a um, sem trair a menor emoção. Era como se os olhasse sem os ver.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Segundo os costumes de Guardavida, todos os condenados à morte eram conduzidos diante do soberano, na véspera da execução, a fim de beneficiarem, eventualmentee, de um perdão real. Infelizmente para o menino, o rei, depois que perdera a família, nunca mais acordara um perdão a nenhum acusado. Era como se a dor tivesse destruído nele, para sempre, qualquer sentimento de compaixão. Se ainda aceitava participar nesta cerimónia macabra, era mais para respeitar um costume instituído pelos seus antepassados do que para salvar a vida de algum miserável. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">De facto, quando o rei se dignava olhar para alguns dos condenados, via sobretudo neles os assassinos da sua família. Se pudesse, em vez de lhes conceder algum perdão, ele mesmo lhes cortaria o pescoço. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Foi pois com uma esperança assaz diminuta que a criança foi conduzida diante dele, acompanhada por uma dúzia de prisioneiros. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Sentado numa grande sala do palácio, num trono de ébano, o rei estava absorto nos seus pensamentos sombrios. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">A sua única filha ainda viva estava sentada a seu lado e acariciava os cabelos dourados de uma boneca de porcelana. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Quando os condenados entraram e foram conduzidos até ele, o rei levantou os olhos, e o seu rosto imóvel foi-os olhando, um a um, sem trair a menor emoção. Era como se os olhasse sem os ver.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;De repente, ao pousar o olhar sobre o menino, o seu corpo ficou hirto, soltou um grito de cólera e os seus olhos revelaram um furor terrível.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Insolente! Traidor! Anarquista! Como ousas, diante de mim, desprezar as minhas leis, violar o nosso luto e profanar a memória da minha própria família?\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Perdoai-me, Senhor, perdoai-me. Não queria ofender-vos nem faltar-‑vos ao respeito, mas a vossa filha…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— Como te atreves? — espumava o rei.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;— A vossa filha tinha um ar e uns olhos tão tristes, que não pude evitar sorrir-lhe quando os nossos olhares se cruzaram… É mais forte do que eu, vem-‑me do mais profundo da alma e…\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Mas o rei deixara de o ouvir. Observava, maravilhado, a filha, o seu único descendente vivo, a sua única consolação, uma prisioneira da tristeza há já tanto tempo. A filha sorria para a cri ança que ia morrer.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Passou-se uma eternidade, e todos, guardas, senhores e condenados, ficaram suspensos da reacção do rei.\n",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">De repente, ao pousar o olhar sobre o menino, o seu corpo ficou hirto, soltou um grito de cólera e os seus olhos revelaram um furor terrível. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Insolente! Traidor! Anarquista! Como ousas, diante de mim, desprezar as minhas leis, violar o nosso luto e profanar a memória da minha própria família? </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Perdoai-me, Senhor, perdoai-me. Não queria ofender-vos nem faltar-‑vos ao respeito, mas a vossa filha… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— Como te atreves? — espumava o rei. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">— A vossa filha tinha um ar e uns olhos tão tristes, que não pude evitar <span class="st"><font>sorrir</font></span>-lhe quando os nossos olhares se cruzaram… É mais forte do que eu, vem-‑me do mais profundo da alma e… </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Mas o rei deixara de o ouvir. Observava, maravilhado, a filha, o seu único descendente vivo, a sua única consolação, uma prisioneira da tristeza há já tanto tempo. A filha sorria para a cri ança que ia morrer. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Passou-se uma eternidade, e todos, guardas, senhores e condenados, ficaram suspensos da reacção do rei.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O que viram então foi um autêntico milagre!\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O rei, desarmado, estupefacto e hipnotizado, não conseguia desviar o olhar do rosto da filha. Pouco a pouco, começaram a ver os seus lábios a tremer e uma lágrima a correr do seu olho direito. Sorriu, emocionado, para a princesa.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Um murmúrio percorreu a assembleia, e logo uma alegria muda tomou o lugar do mais profundo desespero. Um sorriso partilhado e tranquilo emergiu da dor e das mágoas e contagiou todos quantos estavam presentes na sala.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cb\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;\nEpílogo\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/b\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;O fim do luto nacional foi decretado naquela mesma noite; os treze condenados à morte, entre os quais a criança, foram agraciados e soltos.\n\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%;text-align:justify\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;A história não diz o que aconteceu ao rei, à princesa e ao menino. Sabe-se apenas que Guardavida se tornou de novo um país hospitaleiro e acolhedor, onde dá gosto viver. Sabemos também que não há dor nem desgosto tão intensos e violentos que não possam vir a ser consolados, que não possam ser redimidos pela vida sempre nova e apaixonante que nos espera.\n",1] );  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O que viram então foi um autêntico milagre! </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O rei, desarmado, estupefacto e hipnotizado, não conseguia desviar o olhar do rosto da filha. Pouco a pouco, começaram a ver os seus lábios a tremer e uma lágrima a correr do seu olho direito. Sorriu, emocionado, para a princesa. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Um murmúrio percorreu a assembleia, e logo uma alegria muda tomou o lugar do mais profundo desespero. Um sorriso partilhado e tranquilo emergiu da dor e das mágoas e contagiou todos quantos estavam presentes na sala. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><strong><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Epílogo</font></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">O fim do luto nacional foi decretado naquela mesma noite; os treze condenados à morte, entre os quais a criança, foram agraciados e soltos. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;text-align:justify;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">A história não diz o que aconteceu ao rei, à princesa e ao menino. Sabe-se apenas que Guardavida se tornou de novo um país hospitaleiro e acolhedor, onde dá gosto viver. Sabemos também que não há dor nem desgosto tão intensos e violentos que não possam vir a ser consolados, que não possam ser redimidos pela vida sempre nova e apaixonante que nos espera.  <!-- D(["mb","\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 9.6pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt; \u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Jean-Hugues Malineau\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&gt;\u003ci\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;L&#39;enfant qui retrouva le sourire \u003c/font\&gt;\n\u003c/span\&gt;\u003c/i\&gt;\u003c/p\&gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&gt;Paris, Albin Michel Jeunesse, 1999\u003c/font\&gt;\u003c/span\&gt;\u003c/p\&gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--> </font></span></p>
<p style="line-height:135%;margin:0 0 9.6pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Jean-Hugues Malineau</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/74/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/74/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=74&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Preâmbulo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:57:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressividade]]></category>
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		<description><![CDATA[Caminhos para a Paz completo em PDF:caminhos-para-a-paz.pdf Preâmbulo Nos difíceis tempos que são os de hoje, em que o desenvolvimento tecnológico tem aberto possibilidades não antes suspeitadas, torna-se mais do que nunca necessária uma pedagogia dos valores assente em bases sólidas, que oriente os mais jovens no sentido da tolerância, da generosidade e no respeito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=69&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caminhos para a Paz completo em PDF:<span><strong><span style="font-size:14.5pt;"><a href="http://espacoesperanca.files.wordpress.com/2007/09/caminhos-para-a-paz.pdf" title="caminhos-para-a-paz.pdf"><font face="Times New Roman">caminhos-para-a-paz.pdf</font></a></span></strong></span></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><font face="Times New Roman"><span><strong><span style="font-size:14.5pt;">Preâmbulo</span></strong></span><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></font></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Nos difíceis tempos que são os de hoje, em que o desenvolvimento tecnológico tem aberto possibilidades não antes suspeitadas, torna-se mais do que nunca necessária uma pedagogia dos valores assente em bases sólidas, que oriente os mais jovens no sentido da tolerância, da generosidade e no respeito pela diferença, tão pouco tida em conta nesta época de fundamentalismos, de guerras onde não existem vencedores, e em que a mais pesada factura é sempre paga pelas crianças. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Por outro lado, de par com a devastação causada por tantos conflitos armados, surge, como inevitável, um cortejo de imagens televisivas diariamente enviado para as casas dos telespectadores, numa dessensibilizante rotina da exploração da dor humana e da destruição, que atrai a curiosidade de quem vê, mas que não esclarece nem convida a reflectir. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Transformadas as imagens de violência, reais e ficcionadas, em objecto de consumo e fonte de entretenimento, não é de surpreender que se tenha vindo a assistir, de forma generalizada, a um aumento da incidência de crimes violentos na sociedade cada vez mais laxista e permissiva que é a sociedade portuguesa, em que reinam a impunidade e a hipocrisia, em que o respeito pelos princípios morais é confundido com moralismo retrógrado, e em que a mediocridade e a grosseria se têm transformado em modelos de comportamento, sobretudo para os mais jovens. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Pretende-se, com esta antologia, proporcionar a quem a ler momentos de reflexão sobre o tema da violência, abrindo ao mesmo tempo alguns caminhos possíveis para uma paz assente no diálogo, na partilha e na compreensão, na capacidade de ouvir o que o outro tem para dizer, e na consciência de que a maldade que tendemos a ver nesse outro é, tantas vezes também, um reflexo da nossa própria maldade. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p><strong>Caminhos para a Paz</strong> completo em PDF:<span><strong><span style="font-size:14.5pt;"><a href="http://espacoesperanca.files.wordpress.com/2007/09/caminhos-para-a-paz.pdf" title="caminhos-para-a-paz.pdf"><font face="Times New Roman">caminhos-para-a-paz.pdf</font></a></span></strong></span></p>
<p><span><strong><span style="font-size:11.5pt;"></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size:11.5pt;">Caso queira fazer algum comentário aos textos que leu, caso queira escrever sobre estes temas, caso queira deixar alguma reflexão&#8230; Escreva!</span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/69/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/69/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=69&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Cantiga do fogo e da guerra</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:56:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressividade]]></category>
		<category><![CDATA[conflito]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[sombra]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Cantiga do fogo e da guerra Há um fogo enorme no jardim da guerra E os homens semeiam agulhas na terra Os homens passeiam co&#8217;os pés no carvão que os deuses acendem luzindo um tição P&#8217;ra apagar o fogo vêm embaixadores trazendo no peito água e extintores Extinguem as vidas dos que caem na rede [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=68&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0 0 0 1cm;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Cantiga do fogo e da guerra</font></span></strong></p>
<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p></span></p>
<p></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Há um fogo enorme no jardim da guerra<br />
E os homens semeiam agulhas na terra<br />
Os homens passeiam co&#8217;os pés no carvão<br />
que os deuses acendem luzindo um tição</font></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">P&#8217;ra apagar o fogo vêm embaixadores<br />
trazendo no peito água e extintores<br />
Extinguem as vidas dos que caem na rede<br />
e dão água aos mortos que já não têm sede</font></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ao circo da guerra chegam piromagos<br />
abrem grande a boca quando são bem pagos<br />
Soltam labaredas pela boca cariada<br />
fogo que não arde nem queima nem nada</font></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Senhores importantes fazem piqueniques<br />
churrascam o frango no ardor dos despiques<br />
Engolem sangria dos sangues fanados<br />
e enxugam os beiços na pele dos queimados <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 14.2pt 6pt 42.55pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 14.2pt 6pt 42.55pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;É guerra de trapos, do pulmão que cessa\u003cbr\&amp;gt;do óleo cansado que arde depressa\u003cbr\&amp;gt;Os homens maciços cavam-se por dentro\n\u003cbr\&amp;gt;e o fogo penetra, vai direito ao centro.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 5cm 0pt 0cm;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Sérgio Godinho\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 5cm 0pt 0cm;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Manuela Fonseca e outros (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, a paz\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Afrontamento, 2001\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //--></font></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0 14.2pt 6pt 42.55pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">É guerra de trapos, do pulmão que cessa<br />
do óleo cansado que arde depressa<br />
Os homens maciços cavam-se por dentro<br />
e o fogo penetra, vai direito ao centro.</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0 5cm 0 0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Sérgio Godinho</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0 5cm 0 0;"><span style="font-size:10.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Manuela Fonseca e outros (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lá longe, a paz</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Afrontamento, 2001</font></span></p>
<p><!-- D(["ce"]);  //--></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=68&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Natal de 1971 &#8211; Jorge de Sena</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:53:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressividade]]></category>
		<category><![CDATA[conflito]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[inimizade]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Natal de 1971 Natal de quê? De quem? Daqueles que o não têm? Dos que não são cristãos? O de quem traz às costas as cinzas de milhões? Natal de paz agora nesta terra de sangue? Natal de liberdade num mundo de oprimidos? Natal de uma justiça roubada sempre a todos? Natal de ser-se igual [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=67&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Natal de 1971</font></span></strong></p>
<table border="0" cellPadding="0" cellSpacing="0" style="border-collapse:collapse;">
<tr>
<td width="206" vAlign="top" style="width:154.65pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0 5.4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Natal de quê? De quem?<br />
Daqueles que o não têm?<br />
Dos que não são cristãos?<br />
O de quem traz às costas<br />
as cinzas de milhões?<br />
Natal de paz agora<br />
nesta terra de sangue?<br />
Natal de liberdade<br />
num mundo de oprimidos?<br />
Natal de uma justiça<br />
roubada sempre a todos?<br />
Natal de ser-se igual<br />
em ser-se concebido,<br />
em de um ventre nascer-se,<br />
em por amor sofrer-se,<br />
em de morte morrer-se,<br />
e de ser-se esquecido?</font></span></td>
<td width="224" vAlign="top" style="width:168.3pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0 5.4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0 0 12pt 14.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Natal de caridade,<br />
quando a fome ainda mata?<br />
Natal de qual esperança<br />
num mundo todo de bombas?<br />
Natal de honesta fé,<br />
com gente que é traição,<br />
vil ódio, mesquinhez,<br />
e até Natal de amor?<br />
Natal de quê? De quem?<br />
Daqueles que o não têm,<br />
ou dos que olhando ao longe<br />
sonham de humana vida <!-- D(["mb","\u003cbr\&amp;gt;um mundo que não há?\u003cbr\&amp;gt;Ou dos que torturam \u003cbr\&amp;gt;e torturados são \u003cbr\&amp;gt;na crença de que os homens\u003cbr\&amp;gt;devem estender-se a mão?\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/td\&amp;gt;\u003c/tr\&amp;gt;\u003c/tbody\&amp;gt;\u003c/table\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Jorge de Sena\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;José Fanha (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De palavra em punho\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Campo das Letras, 2004\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--><br />
um mundo que não há?<br />
Ou dos que torturam<br />
e torturados são<br />
na crença de que os homens<br />
devem estender-se a mão?</font></span></td>
</tr>
</table>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Jorge de Sena</font></span></p>
<p style="margin:0;"><span></span></p>
<p style="margin:0;"><span></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">José Fanha (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">De palavra em punho</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Campo das Letras, 2004</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/67/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/67/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=67&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O soldadinho, a menina e a pomba</title>
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		<comments>http://espacoesperanca.wordpress.com/2007/08/30/o-soldadinho-a-menina-e-a-pomba/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[compreensão]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
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		<description><![CDATA[O soldadinho, a menina e a pomba &#160; &#160; O soldado marchava de cá para lá, de lá para cá, na rua sem mais ninguém, diante da porta aberta do quartel. De farda especial e capacete, com a mão direita no punho da espingarda automática encostada ao braço, marchava vinte passos para lá; então parava, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=66&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="margin:0;"><a name="114b73ed2919cc5b__Toc159552409" title="114b73ed2919cc5b__Toc159552409"></a><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">O soldadinho, a menina e a pomba</font></span><span style="font-size:14.5pt;"> </span></p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O soldado marchava de cá para lá, de lá para cá, na rua sem mais ninguém, diante da porta aberta do quartel. De farda especial e capacete, com a mão direita no punho da espingarda automática encostada ao braço, marchava vinte passos para lá; então parava, batendo com as botas no chão, para fazer meia-volta; e depois marchava vinte passos para cá, para fazer outra meia-volta e continuar a andar os mesmos vinte passos. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Estava de sentinela. De guarda ao quartel, era sua obrigação ver muito bem a entrada e a saída de militares e atender alguma pessoa estranha que por ali aparecesse. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Chegara no seu posto meia-hora antes, ainda quase de noite. Como então havia nevoeiro e muito frio, marchara muitas vezes de cá para lá, de lá para cá, batendo com as botas no chão, com muita força, para se aquecer. E, de vez em quando, metera-se dentro da guarita, aquela casota de madeira de onde, mais abrigado, podia continuar a ver tudo o que perto dele acontecesse. Dentro de nevoeiro, parado ou só podendo andar os tais vinte passos, o soldado fazia lembrar um peixe num aquário. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Agora lá andava ele, de um lado para o outro, diante da porta aberta do quartel, onde ninguém entrava e de onde ninguém saía. A rua estava deserta. Nem sequer o Sol, que decerto já tinha nascido, conseguira furar o nevoeiro que toda a noite tinha sido uma manta a embrulhar a cidade. Agora era como um lençol quase transparente, esburacado, mas ainda mal deixava ver muitas casas, algumas árvores e mesmo parte daquela rua.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ora, a certa altura, o soldado ouviu um leve rumor e viu um pequeno vulto que se aproximava. Logo interrompeu a sua marcha, mesmo junto da guarita, e, com muita atenção, ficou a olhar e foi como se, de repente, a manhã tivesse finalmente começado a descer a larga rua do quartel. Uma menina de bibe branco, boina e sandálias vermelhas, com uma malinha às costas, vinha andando na direcção dele, pulando às vezes, às vezes parando; e, batendo as asas em volta dela, um pombo cinzento rosado, da cor da madrugada, vinha voando com a menina. Mas ela, após três ou quatro passos, parava: e o pombo, então, procurava-lhe as mãos, como se quisesse beijá-las. Assim de longe, lembrava uma borboleta a querer poisar numa flor que tivesse começado a andar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O soldado estacara junto da guarita, imóvel, em posição de descanso, com as pernas afastadas, as mãos cruzadas à sua frente, a segurar o punho da espingarda automática que parecia agora adormecida ao colo dele.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Com a menina e o pombo já mais perto, percebia melhor o que estava acontecendo. A pequenita trazia nas mãos um cartucho, donde tirava bagos de milho que o pombo lhe ia comendo na palma da mão. E, de súbito, veio correndo até junto do soldado e parou diante dele, com a ave empoleirada num dos ombros. Então disse:\n",1] );  //--><font face="Times New Roman">Agora lá andava ele, de um lado para o outro, diante da porta aberta do quartel, onde ninguém entrava e de onde ninguém saía. A rua estava deserta. Nem sequer o Sol, que decerto já tinha nascido, conseguira furar o nevoeiro que toda a noite tinha sido uma manta a embrulhar a cidade. Agora era como um lençol quase transparente, esburacado, mas ainda mal deixava ver muitas casas, algumas árvores e mesmo parte daquela rua. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ora, a certa altura, o soldado ouviu um leve rumor e viu um pequeno vulto que se aproximava. Logo interrompeu a sua marcha, mesmo junto da guarita, e, com muita atenção, ficou a olhar e foi como se, de repente, a manhã tivesse finalmente começado a descer a larga rua do quartel. Uma menina de bibe branco, boina e sandálias vermelhas, com uma malinha às costas, vinha andando na direcção dele, pulando às vezes, às vezes parando; e, batendo as asas em volta dela, um pombo cinzento rosado, da cor da madrugada, vinha voando com a menina. Mas ela, após três ou quatro passos, parava: e o pombo, então, procurava-lhe as mãos, como se quisesse beijá-las. Assim de longe, lembrava uma borboleta a querer poisar numa flor que tivesse começado a andar. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O soldado estacara junto da guarita, imóvel, em posição de descanso, com as pernas afastadas, as mãos cruzadas à sua frente, a segurar o punho da espingarda automática que parecia agora adormecida ao colo dele. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Com a menina e o pombo já mais perto, percebia melhor o que estava acontecendo. A pequenita trazia nas mãos um cartucho, donde tirava bagos de milho que o pombo lhe ia comendo na palma da mão. E, de súbito, veio correndo até junto do soldado e parou diante dele, com a ave empoleirada num dos ombros. Então disse: <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bom dia!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Antes de responder, ele descruzou as mãos e ficou com a direita caída a segurar a arma ao longo do braço, e a esquerda muito esticada junto à coxa, ao mesmo tempo que unia os calcanhares, com um grande estalo das botas. Estava \nem sentido. E ia falar, quando o pombo começou a esvoaçar e a menina a rir.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Devia ter uns sete ou oito anos, muito pequeninos e alegres. Alguns caracóis de cabelo negro escapavam-se da boina vermelha, sobre uns grandes e lindos olhos verdes, num rosto de ar travesso, com um sinalzinho preto à esquerda do nariz arrebitado. E toda ela, desde a boina à boca, ria.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— É por mim que fazes isso? — perguntou, com o pombo empoleirado no outro ombro.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Uma sentinela deve pôr-se em sentido quando fala com um civil — respondeu o soldado.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ai, eu sou um civil — exclamou ela, ainda a rir. — Pois não vês que sou uma menina?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bem vejo que é uma menina. Deseja alguma coisa?\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bom dia!</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Antes de responder, ele descruzou as mãos e ficou com a direita caída a segurar a arma ao longo do braço, e a esquerda muito esticada junto à coxa, ao mesmo tempo que unia os calcanhares, com um grande estalo das botas. Estava em sentido. E ia falar, quando o pombo começou a esvoaçar e a menina a rir.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Devia ter uns sete ou oito anos, muito pequeninos e alegres. Alguns caracóis de cabelo negro escapavam-se da boina vermelha, sobre uns grandes e lindos olhos verdes, num rosto de ar travesso, com um sinalzinho preto à esquerda do nariz arrebitado. E toda ela, desde a boina à boca, ria. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— É por mim que fazes isso? — perguntou, com o pombo empoleirado no outro ombro. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Uma sentinela deve pôr-se em sentido quando fala com um civil — respondeu o soldado. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ai, eu sou um civil — exclamou ela, ainda a rir. — Pois não vês que sou uma menina? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Bem vejo que é uma menina. Deseja alguma coisa? <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Sim. Quero saber se viste passar o meu avô.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— O seu avô? Não, não vi. Desde que aqui estou, ninguém entrou nem saiu. E há quase meia hora que ninguém passa por esta rua.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Então, não viste o meu avô? — murmurou a pequenita, muito desgostosa.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E, enquanto tirava do cartucho um bago de milho para o pombo, lamentou-‑se:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Sem o meu avô não sei como hei-de resolver o meu problema. Tu é que talvez possas ajudar-me...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— A menina precisa de ajuda?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ela fez uma careta de impaciência:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ai, não faças tanta cerimónia! Porque é que continuas em sentido e a tratar-me por menina? Olha, eu sou a Renata. E esta é a Rita, acrescentou, dando à pomba outro bago de milho. E tu?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Sim. Quero saber se viste passar o meu avô. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— O seu avô? Não, não vi. Desde que aqui estou, ninguém entrou nem saiu. E há quase meia hora que ninguém passa por esta rua. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Então, não viste o meu avô? — murmurou a pequenita, muito desgostosa. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E, enquanto tirava do cartucho um bago de milho para o pombo, lamentou-‑se: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Sem o meu avô não sei como hei-de resolver o meu problema. Tu é que talvez possas ajudar-me&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— A menina precisa de ajuda? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ela fez uma careta de impaciência: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ai, não faças tanta cerimónia! Porque é que continuas em sentido e a tratar-me por menina? Olha, eu sou a Renata. E esta é a Rita, acrescentou, dando à pomba outro bago de milho. E tu? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu sou o 154.\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— O 154? Ora! Trata-me por tu e diz-me o teu nome.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ernesto. Na tropa sou o 154, mas chamo-me Ernesto. Mas como é que a menina...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Como é que tu...\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Está bem! Como é que tu sabes que é uma pomba?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Como é que eu sei! — exclamou a pequenita, abanando a cabeça. — Sei porque sou muito amiga dela, porque fui eu que lhe pus o nome de Rita, porque é minha vizinha e porque anda a chocar uns ovos que eu quase a vi pôr. E esse é que é o problema!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Que problema?\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então a Renata explicou qual o problema, acrescentando que era grave. A Rita andava a chocar os seus ovos, em breve ia ser mãe e precisava de comer muito bem, para poder criar uns pombinhos fortes e bonitos como ela. Por isso, todas as manhãs, antes de ir para a escola, costumava dar-lhe milho. Mas naquele dia acordara mais tarde e tinha-se visto obrigada a trazer a pomba com ela, porque a Rita estava habituada a comer bagos, um a um e pouco a pouco, nas mãos da sua amiga Renata. Ora ela tinha de ir já para a escola e só metera por aquela rua para encontrar o avô, que tinha vindo para ali poder dar à pomba o resto do milho...\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu sou o 154.</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— O 154? Ora! Trata-me por tu e diz-me o teu nome. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ernesto. Na tropa sou o 154, mas chamo-me Ernesto. Mas como é que a menina&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Como é que tu&#8230;</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Está bem! Como é que tu sabes que é uma pomba? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Como é que eu sei! — exclamou a pequenita, abanando a cabeça. — Sei porque sou muito amiga dela, porque fui eu que lhe pus o nome de Rita, porque é minha vizinha e porque anda a chocar uns ovos que eu quase a vi pôr. E esse é que é o problema! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Que problema?</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então a Renata explicou qual o problema, acrescentando que era grave. A Rita andava a chocar os seus ovos, em breve ia ser mãe e precisava de comer muito bem, para poder criar uns pombinhos fortes e bonitos como ela. Por isso, todas as manhãs, antes de ir para a escola, costumava dar-lhe milho. Mas naquele dia acordara mais tarde e tinha-se visto obrigada a trazer a pomba com ela, porque a Rita estava habituada a comer bagos, um a um e pouco a pouco, nas mãos da sua amiga Renata. Ora ela tinha de ir já para a escola e só metera por aquela rua para encontrar o avô, que tinha vindo para ali poder dar à pomba o resto do milho&#8230; <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E, com um ar muito contrariado, concluiu:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas tu dizes que não viste o meu avô... Portanto, como não vejo aqui mais ninguém, só tu é que podes ajudar-me.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu? Tenho muito pena, mas não pode ser. Eu estou de sentinela.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Já sei! Mas tu mesmo disseste que ninguém tem passado por aqui. Por isso, ninguém pode ver. E eu não conto nada. Olha que já faltam poucos bagos — disse a Renata, dando mais um à pomba que não ficava quieta.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Tenho muito pena...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ernesto, Ernesto! — exclamou a menina, olhando-o com uma expressão muito triste. — Pareces um rapaz muito simpático, mas afinal...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ele tinha, de facto, um aspecto muito simpático. Baixo, loiro, de olhos azuis, corado e quase imberbe, era naturalmente risonho. Mas agora estava preocupado.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E, com um ar muito contrariado, concluiu: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Mas tu dizes que não viste o meu avô&#8230; Portanto, como não vejo aqui mais ninguém, só tu é que podes ajudar-me. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu? Tenho muito pena, mas não pode ser. Eu estou de sentinela. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Já sei! Mas tu mesmo disseste que ninguém tem passado por aqui. Por isso, ninguém pode ver. E eu não conto nada. Olha que já faltam poucos bagos — disse a Renata, dando mais um à pomba que não ficava quieta. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Tenho muito pena&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ernesto, Ernesto! — exclamou a menina, olhando-o com uma expressão muito triste. — Pareces um rapaz muito simpático, mas afinal&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ele tinha, de facto, um aspecto muito simpático. Baixo, loiro, de olhos azuis, corado e quase imberbe, era naturalmente risonho. Mas agora estava preocupado. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","— Não posso, Renata. Se alguém me visse... Se o nosso sargento me apanhasse...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A pomba continuava a bater as asas, à roda do cartucho. A menina, abanando a cabeça, murmurava:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— E eu tenho de ir já para a escola! Tu bem podias, se quisesses... E agora?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Foi então que, vendo que duas lágrimas o espreitavam daqueles grandes e lindos olhos verdes, o soldado não resistiu mais.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Pronto! Dá cá o milho e vai depressa para a escola. Eu cá trato da Rita... e seja o que Deus quiser!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como o Ernesto se inclinava para ela, para melhor agarrar o cartucho, a menina pendurou-se-lhe ao pescoço e deu-lhe um grande beijo, dizendo:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu juro que não conto nada a ninguém. Só hei-de dizer ao meu avô que encontrei hoje um soldadinho muito bom e muito bonito. Adeus, amigo Ernesto!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;E deixando a pomba a esvoaçar em volta da sentinela, a Renata desatou a correr a caminho da escola, sem olhar para trás, mesmo de costas acenando adeus.\n",1] );  //-->— Não posso, Renata. Se alguém me visse&#8230; Se o nosso sargento me apanhasse&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A pomba continuava a bater as asas, à roda do cartucho. A menina, abanando a cabeça, murmurava: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— E eu tenho de ir já para a escola! Tu bem podias, se quisesses&#8230; E agora? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Foi então que, vendo que duas lágrimas o espreitavam daqueles grandes e lindos olhos verdes, o soldado não resistiu mais. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Pronto! Dá cá o milho e vai depressa para a escola. Eu cá trato da Rita&#8230; e seja o que Deus quiser! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Como o Ernesto se inclinava para ela, para melhor agarrar o cartucho, a menina pendurou-se-lhe ao pescoço e deu-lhe um grande beijo, dizendo: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu juro que não conto nada a ninguém. Só hei-de dizer ao meu avô que encontrei hoje um soldadinho muito bom e muito bonito. Adeus, amigo Ernesto! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">E deixando a pomba a esvoaçar em volta da sentinela, a Renata desatou a correr a caminho da escola, sem olhar para trás, mesmo de costas acenando adeus. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Risonho e pensativo, o soldado ficou a ver a menina desaparecer. Mas a pomba picava-lhe a mão... Despertou e só então desfez a posição de sentido, passando à de descanso: com a espingarda automática ao colo, as pernas afastadas e as mãos à frente, amparando o punho da arma... mas abertas, uma com o cartucho, a outra com a pomba.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Olhou à sua volta: ninguém! Até o nevoeiro parecia voltar de novo, a querer ajudá-lo. E o Ernesto deu à Rita mais um bago de milho.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De repente, vindo do quartel, um som de clarim estilhaçou o silêncio. Estremeceu, mas logo se acalmou, pensando: «É o toque do rancho, para o pequeno-almoço. Agora não é provável que alguém venha à porta.»\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Continuou a dar o milho à Rita, contando os bagos que restavam: eram três. Pô-los na concha da mão, deitando fora o cartucho, logo arrastado pelo vento que acordara e desfazia os últimos farrapos de nevoeiro. O sol ia já doirando as coisas. E, quando havia um só bago de milho, o soldadinho, muito distraído, pressentiu de repente alguém que vinha já muito perto dele. Ao perceber quem era, quase desmaiou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Como estava inclinado para a pomba, ao princípio só viu, pisando o chão, um par de botins ou botas altas. «Oficial ou sargento?» — pensou. Eram botas altas: «Oficial!». Depois, nos ombros, muitos galões amarelos, um largo e três estreitos: «Coronel! Coronel?». Por fim, um monóculo a faiscar ao Sol agora todo descoberto: «O nosso Comandante!»\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Risonho e pensativo, o soldado ficou a ver a menina desaparecer. Mas a pomba picava-lhe a mão&#8230; Despertou e só então desfez a posição de sentido, passando à de descanso: com a espingarda automática ao colo, as pernas afastadas e as mãos à frente, amparando o punho da arma&#8230; mas abertas, uma com o cartucho, a outra com a pomba. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Olhou à sua volta: ninguém! Até o nevoeiro parecia voltar de novo, a querer ajudá-lo. E o Ernesto deu à Rita mais um bago de milho. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">De repente, vindo do quartel, um som de clarim estilhaçou o silêncio. Estremeceu, mas logo se acalmou, pensando: «É o toque do rancho, para o pequeno-almoço. Agora não é provável que alguém venha à porta.» </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Continuou a dar o milho à Rita, contando os bagos que restavam: eram três. Pô-los na concha da mão, deitando fora o cartucho, logo arrastado pelo vento que acordara e desfazia os últimos farrapos de nevoeiro. O sol ia já doirando as coisas. E, quando havia um só bago de milho, o soldadinho, muito distraído, pressentiu de repente alguém que vinha já muito perto dele. Ao perceber quem era, quase desmaiou. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Como estava inclinado para a pomba, ao princípio só viu, pisando o chão, um par de botins ou botas altas. «Oficial ou sargento?» — pensou. Eram botas altas: «Oficial!». Depois, nos ombros, muitos galões amarelos, um largo e três estreitos: «Coronel! Coronel?». Por fim, um monóculo a faiscar ao Sol agora todo descoberto: «O nosso Comandante!» <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ora tudo isso, o que ele via e o que ele ia pensando, não demorou mais do que um segundo. E, nesse segundo, o soldado compreendeu que aquele oficial muito alto e magro, sempre sério e de monóculo, que estava quase junto dele, era nem mais nem menos do que o excelentíssimo senhor coronel Rijo, o Comandante do Regimento!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Imediatamente se pusera \nem sentido. A pomba, assustada com o bater dos calcanhares, afastara-se um pouco. E o último bago de milho, que não deixara cair no chão, não fosse o coronel vê-lo, ficara bem apertado pela mão encostada à perna esquerda. Mas agora, como o Comandante do Regimento tinha chegado ao quartel, era sua obrigação de sentinela dar um grito de alarme: «Às armas!»\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Era assim: ele bradava às armas, a guarda vinha logo, a correr, e formava junto da sentinela; o corneteiro tocava, de maneira que, em qualquer parte do quartel, toda a gente ficava sabendo que chegara o Comandante, e por isso devia pôr-se em sentido; e a guarda apresentava armas, o Comandante fazia a continência, e só então entrava.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ora já ele ia abrindo a boca, pronto a gritar, quando o coronel fez com a mão um gesto muito claro e firme, a dizer-lhe que não, que se mantivesse calado. E ele ficou de boca aberta, atrapalhado, com a pomba, que voltara logo, empoleirada num ombro. Resolveu então fazer o movimento de «apresentar armas»: a espingarda vertical, com a ponta em frente do nariz, segura pela mão direita no punho e pela mão esquerda um pouco mais para acima. Já manejava a arma, quando novamente o Comandante lhe fez um sinal para ficar quieto. Obedeceu, retomando a posição de sentido. E, aproveitando a confusão dos seus próprios gestos, com a boca ainda aberta, para lá atirou o bago de milho.\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ora tudo isso, o que ele via e o que ele ia pensando, não demorou mais do que um segundo. E, nesse segundo, o soldado compreendeu que aquele oficial muito alto e magro, sempre sério e de monóculo, que estava quase junto dele, era nem mais nem menos do que o excelentíssimo senhor coronel Rijo, o Comandante do Regimento! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Imediatamente se pusera em sentido. A pomba, assustada com o bater dos calcanhares, afastara-se um pouco. E o último bago de milho, que não deixara cair no chão, não fosse o coronel vê-lo, ficara bem apertado pela mão encostada à perna esquerda. Mas agora, como o Comandante do Regimento tinha chegado ao quartel, era sua obrigação de sentinela dar um grito de alarme: «Às armas!» </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Era assim: ele bradava às armas, a guarda vinha logo, a correr, e formava junto da sentinela; o corneteiro tocava, de maneira que, em qualquer parte do quartel, toda a gente ficava sabendo que chegara o Comandante, e por isso devia pôr-se em sentido; e a guarda apresentava armas, o Comandante fazia a continência, e só então entrava. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ora já ele ia abrindo a boca, pronto a gritar, quando o coronel fez com a mão um gesto muito claro e firme, a dizer-lhe que não, que se mantivesse calado. E ele ficou de boca aberta, atrapalhado, com a pomba, que voltara logo, empoleirada num ombro. Resolveu então fazer o movimento de «apresentar armas»: a espingarda vertical, com a ponta em frente do nariz, segura pela mão direita no punho e pela mão esquerda um pouco mais para acima. Já manejava a arma, quando novamente o Comandante lhe fez um sinal para ficar quieto. Obedeceu, retomando a posição de sentido. E, aproveitando a confusão dos seus próprios gestos, com a boca ainda aberta, para lá atirou o bago de milho. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«Se for preciso, engulo-o...», pensou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas não foi preciso. O Comandante manteve-se por momentos parado diante da sentinela em sentido e com a pomba no ombro esquerdo. Depois disse, em voz baixa:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Descansar!\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O soldado hesitou um pouco... mas, como os comandantes é que mandam, executou o movimento. A pomba, essa, limitou-se a passar para o ombro direito. O coronel olhou-os mais uns segundos. Depois, sem uma palavra, dirigiu-se para a porta do quartel.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Na boca de Ernesto, o bago de milho era agora como um bago de chumbo. Por isso, empurrou-o com a língua, até o entalar entre os dentes. Mas, antes que tivesse tempo de soprá-lo para o chão, a pomba saltou-lhe do ombro e foi comer-lhe, na boca, aquele último bago.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ora o Comandante, que ia mesmo a entrar, voltou-se nesse instante. E viu, junto da guarita, o soldado em descanso, de cabeça parada, com a pomba a tocar-lhe os lábios com o bico, exactamente como se estivesse a beijá-lo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">«Se for preciso, engulo-o&#8230;», pensou. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas não foi preciso. O Comandante manteve-se por momentos parado diante da sentinela em sentido e com a pomba no ombro esquerdo. Depois disse, em voz baixa: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Descansar!</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O soldado hesitou um pouco&#8230; mas, como os comandantes é que mandam, executou o movimento. A pomba, essa, limitou-se a passar para o ombro direito. O coronel olhou-os mais uns segundos. Depois, sem uma palavra, dirigiu-se para a porta do quartel. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Na boca de Ernesto, o bago de milho era agora como um bago de chumbo. Por isso, empurrou-o com a língua, até o entalar entre os dentes. Mas, antes que tivesse tempo de soprá-lo para o chão, a pomba saltou-lhe do ombro e foi comer-lhe, na boca, aquele último bago. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ora o Comandante, que ia mesmo a entrar, voltou-se nesse instante. E viu, junto da guarita, o soldado em descanso, de cabeça parada, com a pomba a tocar-lhe os lábios com o bico, exactamente como se estivesse a beijá-lo. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então a sentinela agitou levemente as mãos (seria um gesto de adeus?) e a pomba voou para longe, no momento em que o Comandante entrava finalmente no quartel.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Leonel Neves\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Manuela Fonseca e outros (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, a paz\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Afrontamento, 2001\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //--><font face="Times New Roman">Então a sentinela agitou levemente as mãos (seria um gesto de adeus?) e a pomba voou para longe, no momento em que o Comandante entrava finalmente no quartel. </font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Leonel Neves</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Manuela Fonseca e outros (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lá longe, a paz</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Afrontamento, 2001</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=66&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma decisão importante</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:45:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma decisão importante &#160; Quando, em 1933, os nazis sobem ao poder e começa a perseguição aos cidadãos judeus, os pais de Anna e Max consideram que o mais seguro será fugir. Neste excerto, Anna e Max vivem num hotel, na Suíça, onde travam amizade com Vrenelli e com Franz, os filhos dos donos, até [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=65&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Uma decisão importante </font></span></strong><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 42.55pt 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Quando, em 1933, os nazis sobem ao poder e começa a perseguição aos cidadãos judeus, os pais de Anna e Max consideram que o mais seguro será fugir. Neste excerto, Anna e Max vivem num hotel, na Suíça, onde travam amizade com Vrenelli e com Franz, os filhos dos donos, até ao dia em que chegam duas crianças alemãs. De início brincam todos juntos, mas essa situação não se prolonga por muito tempo. </font></span></em></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"></span></em></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Brincavam todos juntos à apanhada. Antes nunca tinha sido muito divertido, porque eles eram só quatro. (Trudi não contava, porque, como não conseguia correr depressa, era logo apanhada e depois gritava sempre). Mas as duas crianças alemãs eram muito velozes e, pela primeira vez, a brincadeira era mesmo emocionante. Vreneli acabara de apanhar o menino alemão e ele apanhou Anna, por isso agora era a vez da Anna apanhar alguém, e ela correu atrás da menina alemã. Elas corriam às voltas pelo pátio da hospedaria, aos ziguezagues, para trás e para a frente, pulando sobre as coisas, até que Anna julgou que estava quase a apanhá-la – mas uma senhora alta e magra, com uma expressão desagradável, barrou-lhe subitamente o caminho. A senhora apareceu tão de repente, como que saída do nada, que, por pouco, Anna não tinha tempo de parar e quase chocou com ela. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Desculpe — disse Anna, mas a mulher não lhe respondeu.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Siegfried! — chamou, com voz estridente. — Gudrun! Já disse que não quero que brinquem com estas crianças!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Agarrou a menina alemã e arrastou-a consigo. O menino seguiu-as, mas quando a mãe não estava a olhar, olhou para Anna, fez uma cara engraçada e acenou com as duas mãos, como que a pedir desculpa. Depois desapareceram os três no interior da hospedaria.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Que mulher tão mal-encarada! — disse Vreneli.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ela deve pensar que nós somos mal-educados — disse Anna.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Tentaram continuar a brincar sem os meninos alemães, mas a brincadeira assim já não prestava. E acabou na confusão do costume, com Trudi em lágrimas, por ter sido apanhada.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Anna só voltou a ver os meninos alemães ao fim da tarde. Eles devem ter andado às compras em Zurique, porque cada um deles trazia um embrulho e a mãe trazia vários, grandes. Quando estavam quase a entrar na hospedaria, Anna pensou que aquela era a sua oportunidade de mostrar que não era mal-educada. Com um salto, passou-lhes à frente e abriu-lhes a porta.\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Desculpe — disse Anna, mas a mulher não lhe respondeu. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Siegfried! — chamou, com voz estridente. — Gudrun! Já disse que não quero que brinquem com estas crianças! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Agarrou a menina alemã e arrastou-a consigo. O menino seguiu-as, mas quando a mãe não estava a olhar, olhou para Anna, fez uma cara engraçada e acenou com as duas mãos, como que a pedir desculpa. Depois desapareceram os três no interior da hospedaria. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Que mulher tão mal-encarada! — disse Vreneli. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ela deve pensar que nós somos mal-educados — disse Anna. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Tentaram continuar a brincar sem os meninos alemães, mas a brincadeira assim já não prestava. E acabou na confusão do costume, com Trudi em lágrimas, por ter sido apanhada. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Anna só voltou a ver os meninos alemães ao fim da tarde. Eles devem ter andado às compras em Zurique, porque cada um deles trazia um embrulho e a mãe trazia vários, grandes. Quando estavam quase a entrar na hospedaria, Anna pensou que aquela era a sua oportunidade de mostrar que não era mal-educada. Com um salto, passou-lhes à frente e abriu-lhes a porta. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas a senhora alemã não parecia estar, de todo, agradada.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Gudrun! Siegfried! — disse ela, empurrando rapidamente os filhos para dentro. Depois, com um ar carrancudo e mantendo-se o mais afastada possível de Anna, comprimiu-se ela própria para passar. Foi difícil. Os embrulhos quase tapavam a entrada. Finalmente, ela lá entrou e desapareceu. «Sem sequer dizer obrigada», pensou Anna. «A senhora alemã é que é mal-educada!»\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No dia seguinte, Anna e Max tinham planeado ir ao bosque com os meninos Zwirn, no segundo dia choveu e no terceiro dia foram com a mãe a Zurique para comprar meias – por isso não voltaram a ver os meninos alemães. Mas depois do pequeno-almoço, na manhã seguinte, quando Anna e Max saíram para o pátio, lá estavam eles outra vez a brincar com os meninos Zwirn. A Anna correu logo em direcção a eles.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Vamos brincar à apanhada? — perguntou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Não — respondeu Vreneli, meio-corada. — E tu nem sequer podes brincar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Anna ficou tão admirada que, por alguns momentos, não conseguiu pensar em nada para dizer. Será que Vreneli tinha outra vez o menino ruivo na cabeça? Mas ela já não o via há tanto tempo...\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas a senhora alemã não parecia estar, de todo, agradada. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Gudrun! Siegfried! — disse ela, empurrando rapidamente os filhos para dentro. Depois, com um ar carrancudo e mantendo-se o mais afastada possível de Anna, comprimiu-se ela própria para passar. Foi difícil. Os embrulhos quase tapavam a entrada. Finalmente, ela lá entrou e desapareceu. «Sem sequer dizer obrigada», pensou Anna. «A senhora alemã é que é mal-educada!» </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No dia seguinte, Anna e Max tinham planeado ir ao bosque com os meninos Zwirn, no segundo dia choveu e no terceiro dia foram com a mãe a Zurique para comprar meias – por isso não voltaram a ver os meninos alemães. Mas depois do pequeno-almoço, na manhã seguinte, quando Anna e Max saíram para o pátio, lá estavam eles outra vez a brincar com os meninos Zwirn. A Anna correu logo em direcção a eles. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Vamos brincar à apanhada? — perguntou. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Não — respondeu Vreneli, meio-corada. — E tu nem sequer podes brincar. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Anna ficou tão admirada que, por alguns momentos, não conseguiu pensar em nada para dizer. Será que Vreneli tinha outra vez o menino ruivo na cabeça? Mas ela já não o via há tanto tempo&#8230; <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Porque é que a Anna não pode brincar? — perguntou Max. Franz estava tão envergonhado como a irmã.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Nenhum de vocês pode — respondeu e, apontando para os meninos alemães, acrescentou: — Eles dizem que não podem brincar convosco.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Pelos vistos, não só tinham sido proibidos de brincar com eles, como também de lhes falar, porque o menino parecia querer dizer alguma coisa, mas acabou por fazer apenas a mesma cara engraçada, com ar de quem pede desculpa, e encolheu os ombros.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Anna e Max olharam um para o outro. Nunca se tinham visto numa situação daquelas. Então Trudi, que tinha estado à escuta, começou a cantarolar:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— A Anna e o Max não brincam! A Anna e o Max não brincam!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Oh! Cala-te! — disse Franz. — Vamos! — e começou a correr com Vreneli em direcção ao lago, com os meninos alemães atrás deles. Durante um momento Trudi ficou surpreendida. Depois cantarolou um último e desafiador «A Anna e o Max não brincam!» e, com as suas curtas perninhas, rompeu em correria atrás deles.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Porque é que a Anna não pode brincar? — perguntou Max. Franz estava tão envergonhado como a irmã. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Nenhum de vocês pode — respondeu e, apontando para os meninos alemães, acrescentou: — Eles dizem que não podem brincar convosco. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Pelos vistos, não só tinham sido proibidos de brincar com eles, como também de lhes falar, porque o menino parecia querer dizer alguma coisa, mas acabou por fazer apenas a mesma cara engraçada, com ar de quem pede desculpa, e encolheu os ombros. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Anna e Max olharam um para o outro. Nunca se tinham visto numa situação daquelas. Então Trudi, que tinha estado à escuta, começou a cantarolar: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— A Anna e o Max não brincam! A Anna e o Max não brincam! </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Oh! Cala-te! — disse Franz. — Vamos! — e começou a correr com Vreneli em direcção ao lago, com os meninos alemães atrás deles. Durante um momento Trudi ficou surpreendida. Depois cantarolou um último e desafiador «A Anna e o Max não brincam!» e, com as suas curtas perninhas, rompeu em correria atrás deles. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Atrás, ficaram especados Anna e Max.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Porque é que eles não podem brincar connosco? — perguntou Anna, mas Max também não sabia. Parecia nada mais haver a fazer do que voltar para a sala de jantar, onde o pai e a mãe ainda acabavam de tomar o pequeno-\n\u003cbr\&amp;gt;­-almoço.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Pensei que estivésseis a brincar com o Franz e a Vreneli — disse a mãe.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Max explicou o que sucedera.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Isso é muito estranho — disse a mãe.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Talvez a mamã pudesse falar com a mãe deles — disse Anna. Ela acabara de reparar na senhora alemã e num homem, que certamente era o marido, sentados numa mesa ao canto.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Com certeza que falo — disse a mãe.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nesse preciso momento, a senhora alemã e o marido levantaram-se para sair da sala de jantar e a mãe de Max e de Anna foi ao encontro deles. Estavam muito longe para que Anna pudesse ouvir o que diziam, mas a mamã ainda só tinha dito algumas palavras quando a senhora alemã respondeu alguma coisa que a fez mãe corar de raiva. A senhora alemã disse mais qualquer coisa e fez tenções de ir embora, mas a mamã agarrou-lhe o braço.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Atrás, ficaram especados Anna e Max. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Porque é que eles não podem brincar connosco? — perguntou Anna, mas Max também não sabia. Parecia nada mais haver a fazer do que voltar para a sala de jantar, onde o pai e a mãe ainda acabavam de tomar o pequeno­-almoço.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Pensei que estivésseis a brincar com o Franz e a Vreneli — disse a mãe. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Max explicou o que sucedera. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Isso é muito estranho — disse a mãe. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Talvez a mamã pudesse falar com a mãe deles — disse Anna. Ela acabara de reparar na senhora alemã e num homem, que certamente era o marido, sentados numa mesa ao canto. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Com certeza que falo — disse a mãe. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Nesse preciso momento, a senhora alemã e o marido levantaram-se para sair da sala de jantar e a mãe de Max e de Anna foi ao encontro deles. Estavam muito longe para que Anna pudesse ouvir o que diziam, mas a mamã ainda só tinha dito algumas palavras quando a senhora alemã respondeu alguma coisa que a fez mãe corar de raiva. A senhora alemã disse mais qualquer coisa e fez tenções de ir embora, mas a mamã agarrou-lhe o braço. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ai não, não é! — gritou a mãe numa voz que ecoou por toda a sala. — Não é o fim, não senhora. — E rodou sobre os calcanhares, voltando para a mesa, enquanto a senhora alemã e o marido saíram, cabisbaixos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Toda a sala te ouviu — disse o pai zangado, quando a mãe se sentou. Ele odiava cenas.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ainda bem! — disse a mamã num tom tão alto que o papá sussurrou:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Chiu! — e acenou para a acalmar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ter de falar baixo fez com que a raiva da mãe aumentasse ainda mais, a ponto de mal conseguir falar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eles são nazis — disse ela por fim. — E proibiram os filhos deles de brincar com os nossos, porque os nossos são judeus — o tom da voz dela aumentava com a indignação. — E tu queres que eu fale baixo?! — gritou de tal modo, que uma velha senhora ainda a acabar de tomar o pequeno-almoço ficou tão assustada que quase entornou o café.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O pai cerrou os lábios e disse:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ai não, não é! — gritou a mãe numa voz que ecoou por toda a sala. — Não é o fim, não senhora. — E rodou sobre os calcanhares, voltando para a mesa, enquanto a senhora alemã e o marido saíram, cabisbaixos. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Toda a sala te ouviu — disse o pai zangado, quando a mãe se sentou. Ele odiava cenas. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Ainda bem! — disse a mamã num tom tão alto que o papá sussurrou: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Chiu! — e acenou para a acalmar. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ter de falar baixo fez com que a raiva da mãe aumentasse ainda mais, a ponto de mal conseguir falar. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eles são nazis — disse ela por fim. — E proibiram os filhos deles de brincar com os nossos, porque os nossos são judeus — o tom da voz dela aumentava com a indignação. — E tu queres que eu fale baixo?! — gritou de tal modo, que uma velha senhora ainda a acabar de tomar o pequeno-almoço ficou tão assustada que quase entornou o café. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O pai cerrou os lábios e disse: </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu também jamais permitiria que a Anna e o Max brincassem com filhos de nazis. Por isso não vejo qualquer problema.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Então, e Vreneli? E Franz? — perguntou Max — Isso significa que se eles brincam com os meninos alemães não podem brincar connosco?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu acho que Franz e Vreneli terão de decidir quem são os amigos deles — disse o pai. — A neutralidade suíça é muito boa, mas pode ir longe demais — e levantou-se da mesa. — Agora sou eu quem vai falar com o pai deles.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Pouco depois, o pai voltou. Ele dissera ao senhor Zwirn que os seus filhos tinham de decidir se queriam brincar com Anna e Max ou com os visitantes alemães. Eles não podiam brincar com os dois. O pai pediu-lhes que não decidissem apressadamente, mas que lhe transmitissem a decisão nessa noite.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Acho que nos vão escolher a nós — disse Max. — Afinal de contas, nós vamos continuar aqui depois de aqueles meninos se irem embora.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas foi difícil saber o que fazer com o resto do dia. Max foi para a beira do lago com a cana de pesca, minhocas e pedaços de pão. Anna não sabia o que havia de fazer. Por fim decidiu escrever um poema sobre uma avalanche que engolira uma cidade inteira, mas não se saiu muito bem. Quando chegou ao desenho ficou tão aborrecida com a ideia de ter de pintar tudo de branco, que desistiu de o fazer. Max, como de costume, não pescou qualquer peixe. A meio da tarde estavam os dois tão deprimidos que a mãe lhes deu meio-franco para irem comprar chocolates –apesar de já ter dito que eram demasiado caros.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu também jamais permitiria que a Anna e o Max brincassem com filhos de nazis. Por isso não vejo qualquer problema. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Então, e Vreneli? E Franz? — perguntou Max — Isso significa que se eles brincam com os meninos alemães não podem brincar connosco? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu acho que Franz e Vreneli terão de decidir quem são os amigos deles — disse o pai. — A neutralidade suíça é muito boa, mas pode ir longe demais — e levantou-se da mesa. — Agora sou eu quem vai falar com o pai deles. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Pouco depois, o pai voltou. Ele dissera ao senhor Zwirn que os seus filhos tinham de decidir se queriam brincar com Anna e Max ou com os visitantes alemães. Eles não podiam brincar com os dois. O pai pediu-lhes que não decidissem apressadamente, mas que lhe transmitissem a decisão nessa noite. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Acho que nos vão escolher a nós — disse Max. — Afinal de contas, nós vamos continuar aqui depois de aqueles meninos se irem embora. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Mas foi difícil saber o que fazer com o resto do dia. Max foi para a beira do lago com a cana de pesca, minhocas e pedaços de pão. Anna não sabia o que havia de fazer. Por fim decidiu escrever um poema sobre uma avalanche que engolira uma cidade inteira, mas não se saiu muito bem. Quando chegou ao desenho ficou tão aborrecida com a ideia de ter de pintar tudo de branco, que desistiu de o fazer. Max, como de costume, não pescou qualquer peixe. A meio da tarde estavam os dois tão deprimidos que a mãe lhes deu meio-franco para irem comprar chocolates – apesar de já ter dito que eram demasiado caros. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No caminho da loja de doces para casa, viram Vreneli e Franz a falar com um ar muito sério à entrada da hospedaria e a seguir passaram por eles com uma expressão embaraçada, olhando em frente, o que os fez sentir pior do que nunca.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Então, Max voltou para a sua pescaria e Anna decidiu ir tomar banho para tentar salvar alguma coisa do dia. Flutuou de costas, coisa que aprendera muito recentemente, mas nem isso a animou. Parecia tudo tão absurdo. Porque é que ela e Max e os meninos Zwirn e os meninos alemães não podiam brincar todos juntos? Porque é que era preciso toda esta história das decisões e de tomar partidos?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De repente, ouviu-se um chape na água ao lado dela. Era Vreneli. As suas tranças compridas estavam atadas num totó no cimo da cabeça, para não se molharem, e o rosto comprido estava mais cor-de-rosa e mais preocupado que nunca.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Desculpa por esta manhã — disse Vreneli sem fôlego. — Decidimos que preferimos brincar convosco, mesmo que isso signifique não podermos brincar com o Siegfried e a Gudrun.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Depois apareceu Franz na margem.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Olá Max — gritou. — As minhocas estão a gostar do banho?\n",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No caminho da loja de doces para casa, viram Vreneli e Franz a falar com um ar muito sério à entrada da hospedaria e a seguir passaram por eles com uma expressão embaraçada, olhando em frente, o que os fez sentir pior do que nunca. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Então, Max voltou para a sua pescaria e Anna decidiu ir tomar banho para tentar salvar alguma coisa do dia. Flutuou de costas, coisa que aprendera muito recentemente, mas nem isso a animou. Parecia tudo tão absurdo. Porque é que ela e Max e os meninos Zwirn e os meninos alemães não podiam brincar todos juntos? Porque é que era preciso toda esta história das decisões e de tomar partidos? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">De repente, ouviu-se um chape na água ao lado dela. Era Vreneli. As suas tranças compridas estavam atadas num totó no cimo da cabeça, para não se molharem, e o rosto comprido estava mais cor-de-rosa e mais preocupado que nunca. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Desculpa por esta manhã — disse Vreneli sem fôlego. — Decidimos que preferimos brincar convosco, mesmo que isso signifique não podermos brincar com o Siegfried e a Gudrun. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Depois apareceu Franz na margem. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Olá Max — gritou. — As minhocas estão a gostar do banho? <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu teria apanhado um peixe enorme agora mesmo, se tu não o tivesses espantado com o barulho que fizeste — disse Max, muito satisfeito mesmo assim.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nessa noite, ao jantar, Anna viu os meninos alemães pela última vez.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Eles estavam sentados, muito direitos, com os pais na sala de jantar. A mãe falava com eles, pausada e insistentemente, e nem mesmo o menino se voltou para olhar para Anna e Max, uma única vez que fosse. No final da refeição, ele passou pela mesa deles, como se os não visse. Toda a família se foi embora na manhã seguinte.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Lamento que tenhamos feito perder alguns clientes ao senhor Zwirn — disse o papá.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A mãe estava triunfante.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— É uma pena — disse Anna. — Tenho a certeza de que aquele menino gostava mesmo de nós.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Max abanou a cabeça.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Eu teria apanhado um peixe enorme agora mesmo, se tu não o tivesses espantado com o barulho que fizeste — disse Max, muito satisfeito mesmo assim. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Nessa noite, ao jantar, Anna viu os meninos alemães pela última vez. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Eles estavam sentados, muito direitos, com os pais na sala de jantar. A mãe falava com eles, pausada e insistentemente, e nem mesmo o menino se voltou para olhar para Anna e Max, uma única vez que fosse. No final da refeição, ele passou pela mesa deles, como se os não visse. Toda a família se foi embora na manhã seguinte. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Lamento que tenhamos feito perder alguns clientes ao senhor Zwirn — disse o papá. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A mãe estava triunfante. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— É uma pena — disse Anna. — Tenho a certeza de que aquele menino gostava mesmo de nós. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Max abanou a cabeça. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","— No fim, já não gostava de nós. Depois da a mãe ter falado com ele, ele deixou de gostar de nós.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;«É verdade», pensou Anna. Ela imaginou o que o menino estaria a pensar agora, o que a mãe lhe teria dito acerca dela e de Max, e como seria ele quando crescesse.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 7.2pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Judith Kerr\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Manuela Fonseca e outros (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, a paz\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Afrontamento, 2001\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] );  //-->— No fim, já não gostava de nós. Depois da a mãe ter falado com ele, ele deixou de gostar de nós. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">«É verdade», pensou Anna. Ela imaginou o que o menino estaria a pensar agora, o que a mãe lhe teria dito acerca dela e de Max, e como seria ele quando crescesse. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 7.2pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Judith Kerr</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Manuela Fonseca e outros (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lá longe, a paz</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Afrontamento, 2001</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/65/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=65&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Livre</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Livre &#160; &#160; Muitos jovens, como este rapaz, saíram para a guerra ou para um campo de concentração, e voltaram um dia a casa. A porta acinzentada abriu-se. Velha, consumida, a cara da tia. — Vieste. Envolveu-o num abraço dorido. O corredor, como dantes, com pouca luz. O bengaleiro pesadão. Como dantes, e, no entanto, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=64&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Livre</font></span> </strong><strong><span style="font-size:14.5pt;"></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm;">&nbsp;</p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 1cm;"><em><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Muitos jovens, como este rapaz, saíram para a guerra ou para um campo de concentração, e voltaram um dia a casa. </font></span></em></p>
<p></font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A porta acinzentada abriu-se. Velha, consumida, a cara da tia. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Vieste.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Envolveu-o num abraço dorido.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O corredor, como dantes, com pouca luz. O bengaleiro pesadão. Como dantes, e, no entanto, diferente. Como alguma coisa com que sonhara. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman"><!-- D(["mb","— Entra, rapaz!\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A voz da velha era dolorosa como o fora o seu abraço.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Parecia um estranho a olhar a passadeira de oleado às riscas. Também o cheiro da casa era adocicado como fruta demasiado amadurecida.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Entreaberta, a porta do quarto que fora o seu. Há séculos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Abriu-a para trás com um empurrão do pé.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Encostado à ombreira contemplou o lugar dos sonhos da infância, da revolta do adolescente, das leituras nocturnas, dos segredos. Nada mudara. O chão limpo, o tapete de bordados, a cama de pau-castanho, o candeeiro na mesa-de-cabeceira, o cinzeiro, a estante de livros. E viu-se a tirar de lá livros. Viu a mãe de cara aflita, o pai a levar os livros para o fogão da cozinha.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Queres descansar?\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A voz lúgubre da tia fê-lo estremecer.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Não, não quero.",1] );  //-->— Entra, rapaz!</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A voz da velha era dolorosa como o fora o seu abraço. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Parecia um estranho a olhar a passadeira de oleado às riscas. Também o cheiro da casa era adocicado como fruta demasiado amadurecida. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Entreaberta, a porta do quarto que fora o seu. Há séculos. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Abriu-a para trás com um empurrão do pé.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Encostado à ombreira contemplou o lugar dos sonhos da infância, da revolta do adolescente, das leituras nocturnas, dos segredos. Nada mudara. O chão limpo, o tapete de bordados, a cama de pau-castanho, o candeeiro na mesa-de-cabeceira, o cinzeiro, a estante de livros. E viu-se a tirar de lá livros. Viu a mãe de cara aflita, o pai a levar os livros para o fogão da cozinha. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Queres descansar?</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A voz lúgubre da tia fê-lo estremecer.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Não, não quero. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A cara dela era o espelho no qual se viu a si próprio: «Estás tão magro, não pareces o mesmo. Estás velho, apesar de seres jovem. Os teus olhos trazem ódio».\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Não passou o limiar da porta. Encaminhou-se para o fundo do corredor. Parou em frente do quarto dos pais. Tinham morrido. Quem lho dissera fora o abraço dorido da tia.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Conta lá, tia.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;As suas próprias palavras pareciam-lhe de outrem, virem de uma grande distância.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— A tua mãe ficou com a saúde abalada desde o dia em que te vieram buscar. Pouco depois, levaram o teu pai e nunca mais tivemos notícias dele. Ela não resistiu a tanto. Morreu ali, naquela cama. Falou em ti até ao último suspiro. Se tivesse adivinhado que tu voltarias...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Atravessou a sala de jantar. O mesmo número de cadeiras que dantes: o lugar da mãe, o do pai, o seu.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Passaram-se seis anos desde que te vieram buscar...\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A cara dela era o espelho no qual se viu a si próprio: «Estás tão magro, não pareces o mesmo. Estás velho, apesar de seres jovem. Os teus olhos trazem ódio». </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Não passou o limiar da porta. Encaminhou-se para o fundo do corredor. Parou em frente do quarto dos pais. Tinham morrido. Quem lho dissera fora o abraço dorido da tia. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Conta lá, tia.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">As suas próprias palavras pareciam-lhe de outrem, virem de uma grande distância. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— A tua mãe ficou com a saúde abalada desde o dia em que te vieram buscar. Pouco depois, levaram o teu pai e nunca mais tivemos notícias dele. Ela não resistiu a tanto. Morreu ali, naquela cama. Falou em ti até ao último suspiro. Se tivesse adivinhado que tu voltarias&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Atravessou a sala de jantar. O mesmo número de cadeiras que dantes: o lugar da mãe, o do pai, o seu. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">— Passaram-se seis anos desde que te vieram buscar&#8230; </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Seis anos? Como é que seis anos podem ser uma vida! Uma vida que separa o passado do presente por um abismo de sofrimento e ódio?\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Tudo limpo, brilhante, arrumado. Para quê?\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A sala de estar. Fria por falta de uso. Por detrás da janela, o carvalho, o permanente encanto da mãe. O sofá, a mesinha redonda, a cadeira de espaldar, as cortinas de croché.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O piano. Tudo esperou por ele. Até o abre-cartas de prata em cima da secretária. Tudo esperou.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Nesta cadeira a mãe costurava. Mais além o lugar do pai. Neste cinzeiro o pai pousava o seu cachimbo. O cenário do passado conservado com uma frieza mortal. Um palco abandonado pelos actores.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Aproximou-se do piano. Afastou o xaile de franjas. Levantou a tampa.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Os mortos contemplavam-no.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Um suor frio cobre-lhe a testa. Sentado em frente do piano, as mãos sobre os joelhos, os olhos cansados nos silenciosos antepassados de sempre.\n",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Seis anos? Como é que seis anos podem ser uma vida! Uma vida que separa o passado do presente por um abismo de sofrimento e ódio? </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Tudo limpo, brilhante, arrumado. Para quê?</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">A sala de estar. Fria por falta de uso. Por detrás da janela, o carvalho, o permanente encanto da mãe. O sofá, a mesinha redonda, a cadeira de espaldar, as cortinas de croché. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">O piano. Tudo esperou por ele. Até o abre-cartas de prata em cima da secretária. Tudo esperou. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Nesta cadeira a mãe costurava. Mais além o lugar do pai. Neste cinzeiro o pai pousava o seu cachimbo. O cenário do passado conservado com uma frieza mortal. Um palco abandonado pelos actores. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Aproximou-se do piano. Afastou o xaile de franjas. Levantou a tampa. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Os mortos contemplavam-no.</font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Um suor frio cobre-lhe a testa. Sentado em frente do piano, as mãos sobre os joelhos, os olhos cansados nos silenciosos antepassados de sempre. <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Onde acaba o passado? Onde começa o presente?\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;No corredor, arrastam-se os passos da velha tia.\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ergue a mão. Fá-lo tocar um acorde hesitante, tímido, que aviva por instantes o cenário de tempos idos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Depois caem-lhe os braços sobre o teclado. Uma desarmonia geme no espaço.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 3pt;line-height:140%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:140%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Enterra a cabeça nos braços e rompe em soluços.\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ilse Losa\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Manuela Fonseca e outros (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;",1] );  //--></font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Onde acaba o passado? Onde começa o presente?</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">No corredor, arrastam-se os passos da velha tia.</font> </span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Ergue a mão. Fá-lo tocar um acorde hesitante, tímido, que aviva por instantes o cenário de tempos idos. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Depois caem-lhe os braços sobre o teclado. Uma desarmonia geme no espaço. </font></span></p>
<p style="line-height:140%;text-align:justify;margin:0 0 3pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:140%;"><font face="Times New Roman">Enterra a cabeça nos braços e rompe em soluços.</font> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Ilse Losa</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Manuela Fonseca e outros (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, a paz\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Afrontamento, 2001\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--><font face="Times New Roman">Lá longe, a paz</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Afrontamento, 2001</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/64/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/64/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=64&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O menino da sua mãe</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[conflito]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
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		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[O menino da sua mãe No plaino abandonado Que a morna brisa aquece, De balas traspassado — Duas, de lado a lado —, Jaz morto, e arrefece. Raia-lhe a farda o sangue. De braços estendidos, Alvo, louro, exangue, Fita com olhar langue E cego os céus perdidos. Tão jovem! Que jovem era! (Agora que idade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=63&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center" style="text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">O menino da sua mãe</font></span></p>
<table border="0" width="441" cellPadding="0" cellSpacing="0" style="width:331pt;border-collapse:collapse;margin:auto auto auto 65.55pt;">
<tr>
<td width="212" vAlign="top" style="width:158.75pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0 5.4pt;">
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><br />
<font face="Times New Roman">No plaino abandonado<br />
Que a morna brisa aquece,<br />
De balas traspassado<br />
— Duas, de lado a lado —,<br />
Jaz morto, e arrefece.</font> </span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Raia-lhe a farda o sangue.<br />
De braços estendidos,<br />
Alvo, louro, exangue,<br />
Fita com olhar langue<br />
E cego os céus perdidos.</font></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Tão jovem! Que jovem era!<br />
(Agora que idade tem?)<br />
Filho único, a mãe lhe dera<br />
Um nome e o mantivera:<br />
«O menino da sua mãe».</font> </span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
</td>
<td width="230" vAlign="top" style="width:172.25pt;background-color:transparent;border:#ece9d8;padding:0 5.4pt;">
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><!-- D(["mb","\u003cbr\&amp;gt;\u003cbr\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"line-height:135%\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Caiu-lhe da algibeira \u003cbr\&amp;gt;A cigarreira breve. \u003cbr\&amp;gt;Dera-lhe a mãe. Está inteira\u003cbr\&amp;gt;E boa a cigarreira. \u003cbr\&amp;gt;Ele é que já não serve.\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"line-height:135%\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"line-height:135%\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;De outra algibeira, alada\u003cbr\&amp;gt;Ponta a roçar o solo,\u003cbr\&amp;gt;A brancura embainhada\u003cbr\&amp;gt;De um lenço... Deu-lho a criada\u003cbr\&amp;gt;Velha que o trouxe ao colo.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"line-height:135%\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"line-height:135%\"\&amp;gt;\n\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:135%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, em casa, há a prece: \u003cbr\&amp;gt;«Que volte cedo e bem!» \u003cbr\&amp;gt;(Malhas que o Império tece!) \u003cbr\&amp;gt;Jaz morto, e apodrece, \u003cbr\&amp;gt;O menino da sua mãe.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/td\&amp;gt;\u003c/tr\&amp;gt;\u003c/tbody\&amp;gt;\u003c/table\&amp;gt;\u003c/div\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:10.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Fernando Pessoa\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Manuela Fonseca e outros (org.)\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Lá longe, a paz\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Porto, Edições Afrontamento, 2001",1] );  //--></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Caiu-lhe da algibeira<br />
A cigarreira breve.<br />
Dera-lhe a mãe. Está inteira<br />
E boa a cigarreira.<br />
Ele é que já não serve.</font></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">De outra algibeira, alada<br />
Ponta a roçar o solo,<br />
A brancura embainhada<br />
De um lenço&#8230; Deu-lho a criada<br />
Velha que o trouxe ao colo. </font></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"></span></p>
<p style="line-height:135%;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:135%;"><font face="Times New Roman">Lá longe, em casa, há a prece:<br />
«Que volte cedo e bem!»<br />
(Malhas que o Império tece!)<br />
Jaz morto, e apodrece,<br />
O menino da sua mãe. </font></span></td>
</tr>
</table>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Fernando Pessoa</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Manuela Fonseca e outros (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Lá longe, a paz</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Edições Afrontamento, 2001 <!-- D(["mb","\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--></font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/63/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=63&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Deste lado do mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2007 14:31:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>materialdidactico</dc:creator>
				<category><![CDATA[agressividade]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Deste lado do mundo Deste lado é que se morre com as mãos presas aos pés deste lado é que se corre o medo de lés a lés Deste lado é que se grita com a garganta em gangrena deste lado é que se fita o outro lado da cena Deste lado é que se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=62&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0 0 0 1cm;"><strong><span style="font-size:14.5pt;"><font face="Times New Roman">Deste lado do mundo</font></span></strong></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:14.5pt;"></span></p>
<p></span></p>
<p style="line-height:125%;margin:0 0 3pt 1cm;"><span style="font-size:12.5pt;line-height:125%;"><font face="Times New Roman">Deste lado é que se morre<br />
com as mãos presas aos pés<br />
deste lado é que se corre<br />
o medo de lés a lés</font></span></p>
<p style="line-height:125%;margin:0 0 3pt 1cm;"><span style="font-size:12.5pt;line-height:125%;"></span></p>
<p style="line-height:125%;margin:0 0 3pt 1cm;"><span style="font-size:12.5pt;line-height:125%;"><font face="Times New Roman">Deste lado é que se grita<br />
com a garganta em gangrena<br />
deste lado é que se fita<br />
o outro lado da cena</font></span></p>
<p style="line-height:125%;margin:0 0 3pt 1cm;"><span style="font-size:12.5pt;line-height:125%;"></span></p>
<p style="line-height:125%;margin:0 0 3pt 1cm;"><span style="font-size:12.5pt;line-height:125%;"><font face="Times New Roman">Deste lado é que se morre<br />
com a garganta em gangrena<br />
deste lado é que se corre<br />
loucamente entrando em cena.</font></span></p>
<p style="margin:0 1cm 12pt 78pt;"><span style="font-size:10pt;line-height:150%;"></span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10.5pt;"></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0 7cm 0 0;"><span style="font-size:10.5pt;"><font face="Times New Roman">Fernando Martinho</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">José Fanha (org.)</font></span></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><em><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">De palavra em punho</font></span></em></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Porto, Campo das Letras, 2004</font></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/espacoesperanca.wordpress.com/62/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/espacoesperanca.wordpress.com/62/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=espacoesperanca.wordpress.com&amp;blog=1407357&amp;post=62&amp;subd=espacoesperanca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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